Sobre o blog


Direitos autorais e contato pessoal 

Todos os textos publicados pelo Tempos Safados podem ser utilizados em outras edições, no formato digital ou impresso. Para isso basta apenas que haja citação da fonte, com título do post e nome do blog.

Para fazer referência em trabalho acadêmico, segue um exemplo abaixo: 

ALVES, Munís Pedro. A memória em Seixas (parte II): propostas para além da historiografia do silêncio. Publicado em 07 maio 2014. In: Tempos Safados: contemporaneidades e humanas em geral. Disponível em: http://tempossafados.blogspot.com.br/2014/05/a-memoria-em-seixas-parte-ii-propostas.html. Acesso em: 05 ago. 2015.


Para mais informações ou outros assuntos envie e-mail para pedro.munhoz@hotmail.com 

Será uma satisfação atendê-lo(a)!




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Objetivos e perspectivas

O objetivo do blog Tempos Safados é introduzir discussões e estimular a leitura dos autores, obras e assuntos veiculados, aguçando a curiosidade muito mais num sentido de dar um empurrão inicial do que de explicar com rigor de detalhes os tópicos apresentados. Os textos são frutos de uma tentativa de descrever resumidamente, com uma linguagem menos técnica e complicada, os temas acadêmicos debatidos nas ciências humanas, de modo que o público de fora dos muros da(s) universidade(s) ou dos cursos específicos de “humanas” possa ter contato direto com o que está em voga na academia. Porém, é preciso salientar que, durante todo momento, lido com a dificuldade e o desafio de usar uma escrita informal para explicar determinados conceitos e teorias da Filosofia, História, Historiografia, Sociologia e etc. Portanto, alguns textos são mais compreensíveis para a comunidade de estudantes universitários e professores das “humanas”, especialmente da História. O que não impede a qualquer um que queira se aventurar nesse terreno (às vezes monótono) da pesquisa em História. A abordagem dos assuntos é feita para provocar e gerar dissensos e reflexões nos leitores, e não para defender cegamente uma verdade ou um ideal absoluto, embora nossas inquietações e opiniões, mesmo que de maneira irônica ou implícita, apareçam nos textos.

Por que o nome “Tempos Safados”?    

O nome surgiu inspirado em dois textos que li em 2010/2011. O primeiro é o livro do filósofo francês Gilles Lipovestky que se chama “Os tempos hipermodernos”, e o segundo é o artigo “Por uma leitura safada de E. P. Thompson” do historiador brasileiro Durval Muniz de Albuquerque Júnior publicado na obra “História: a arte de inventar o passado” do mesmo autor.

Está tão na cara a relação da história com o tempo que acredito não haver necessidade de explicação. Já o significado de “safado” e de “tempo(s) safado(s)” é mais filosófico para mim. Divido em pelo menos duas acepções que se abrem a tantas outras. A primeira é mais óbvia e está ligada a uma certa erotização, ou melhor, a uma “sem-vergonhice” (como diria minha vó). Diria mais, está ligada a uma exposição da esfera íntima ao mundo público. Cada vez mais o indivíduo se expõe. A era da Internet proporcionou uma publicização da vida privada nas redes sociais e nos blogs pessoais. O batalhão de estranhos que antes não conhecíamos (e talvez ainda não conhecemos) agora possui nomes, rostos, gostos, opiniões, idades, locais de trabalho, cidades natais, status de relacionamento, etc. O tempo safado faz a gente se mostrar, se envolver com ele. É tanta informação, é tanto bite, game, diversão, distração, fruição, hipertexto, filme, música, velocidade, download, que nos apaixonamos por ele, queremos nos “conectar” com o tempo; mas, como um amante cafajeste, o tempo nos usa, nos fazer “perder” horas com suas novelas que não chegam a lugar algum, nos tranca dentro de nossas casas, por nosso próprio gosto e escolha, como numa servidão voluntária. Ele nos engana, introjeta desejos que antes não tínhamos, mas não nos satisfaz com nenhum, pois sempre parece haver uma ausência que nunca é suprimida ou completada. Viramos às costas para o resto do mundo, para o terceiro-mundo, para o quarto, quinto e último-mundo.

A segunda acepção é menos desoladora e se refere ao verbo "safar". Ou seja, é o que podemos tirar (puxar e inferir) deste tempo, ou como podemos nos desembaraçar dele. Quais coisas, pensamentos, aprendizados podem ser safados destes tempos? O que podemos apreender do tempo a partir da condição de possibilidade de fazermos a história? A proposta deste exercício é transformarmos nossas próprias vidas e tornarmos senhores do nosso destino. Emancipação? Sim, por que não sonhar? Em certa medida, os pitacos safados são tentativas de tirar reflexões a partir do tempo para deles nos desembaraçarmos. Encerro com uma citação do filósofo italiano Giorgio Agamben em O que é contemporâneo?:

“[...] o contemporâneo não é apenas aquele que, percebendo o escuro do presente, nele apreende a resoluta luz; é também aquele que, dividindo e interpolando o tempo, está a altura de transformá-lo e de colocá-lo em relação com os outros tempos, de nele ler de modo inédito a história, de ‘citá-la’ segundo uma necessidade que não provém de maneira nenhuma do seu arbítrio, mas de uma exigência à qual ele não pode responder. É como se aquela invisível luz, que é o escuro do presente, projetasse a sua sombra sobre o passado, e este, tocado por esse facho de sombra, adquirisse a capacidade de responder às trevas do agora” (2009, p. 72).

Bem-vindos aos Tempos Safados, contemporâneos!
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Um comentário:

  1. caraaa! que bom ler teus textos! parabéns e muchas gracias! @mindingo

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